Os perigos do Rendimento Básico Incondicional


Com o receio de uma crise pós Covid19 cada vez mais se fala do Rendimento Básico Incondicional que consiste em atribuir uma prestação permanente em dinheiro e para toda a população.
Num país como Portugal onde a balança comercial é desequilibrada, o endividamento elevado e a emissão de moeda não é controlada pelo país é um experimentalismo arriscado.

A medida pode parecer um sonho, ter dinheiro suficiente para as necessidades básicas e podermos trabalhar apenas para melhorar a nossa condição.
Contudo há que ter em conta que esta medida carece de recursos que o Estado terá de obter por força de empréstimos, o que irá agravar os impostos pois terá de pagar os juros desta nova dívida, por outro lado a disponibilização de mais moeda no mercado sem correspondente aumento da capacidade produtiva vai aumentar a taxa de inflação, com agravante que grande parte dos recursos consumidos são importados resultando num aumento do endividamento ao exterior. Importa ainda considerar o lado emocional, será mais caro contratar para funções menos atractivas, contribuindo para um encarecimento dos serviços e reduzindo a produtividade, assim como haverá um menor estímulo à poupança, pois se os bens e serviços são cada vez mais caros poupar significa perder dinheiro.
Concluindo o problema é que este dinheiro é artificial e tem custos, não resulta de um acto de criação real, aumento da produtividade ou de emissão de nova moeda, mas de obter empréstimos para consumo e que teremos de pagar, independentemente de ser o Estado a contrair os empréstimos.


Globalização de uma pandemia

A crise mundial mostrou o lado negro da globalização, a velocidade avassaladora com que um vírus letal se propagou desde um mercado em Wuhan até ao resto do mundo, os desvios de materiais médicos essenciais para os países mais ricos, a distribuição de culpas entre nações e o ressurgimento de sentimentos nacionalistas.
Em cerca de 3 meses o Globo foi afectado pelo Covid19, o número de infectados e mortos cresce diariamente, haverá diferença entre a sociedade em que vivemos e um modelo auto-suficiente?

Num lado da balança temos desconfiança entre países com diferentes sistemas políticos, mas obrigados a cooperar, a xenofobia que recaiu sobre os cidadãos provenientes dos países inicialmente infectados, fecho unilateral de fronteiras, relatos de que as nações mais ricas monopolizam as disponibilidades de materiais médicos essenciais, deixando desamparados os países mais pobres, temos produções bloqueadas por falta de materiais que são produzidos em zonas que se encontram em quarentena, países incapazes de se proteger pois deixaram de possuir o know-how ou maquinaria para produzir artigos básicos por força da deslocalização da sua capacidade produtiva e a ameaça de uma crise económica sem paralelo onde o sector do Turismo está neste momento paralisado.
 Por outro lado, temos a livre circulação de pessoas e bens, que levou a um progressivo aumento de qualidade de vida no Ocidente, temos uma rede global de produção, onde neste momento é a própria China que inicialmente recebeu auxílio de países europeus que agora presta auxilio e vende a sua produção de material médico, permitindo um combate global e permanente ao vírus sem o qual as consequências seriam bastante mais letais, são partilhadas investigações sobre vacinas, tratamentos e construção de materiais médicos com celeridade e baixo custo.
Concluindo num sistema interdependente de trocas assegurar o bem estar global tornou-se crítico, contudo não devemos ignorar o óbvio, necessitamos de ser capazes de forma autónoma possuirmos investigação própria, produção instalada e stock de recursos estratégicos que garantam as nossas necessidades e independência dos nossos valores.

Reboot...

Vivemos tempos de incerteza e ansiedade, sem certeza do que acontecerá agora e depois. Sucumbiremos ao vírus pandemico que nos transformou em prisioneiros domiciliários, à anunciada crise económica ou à eterna ameaça robótica que ameaça os nossos empregos.
Nestas alturas de angústia surgem vozes apelar a um repensar do papel do homem no mundo. Deverá a busca incessante de lucro e a execução de tarefas rotineiras a melhor forma de guiarmos o nosso curto tempo neste planeta e utilizarmos os seus recursos?
Não existirá a possibilidade de uma existência humana harmoniosa, onde o indivíduo pode procurar o seu caminho para a Felicidade livre do medo constante da pobreza?